


Por isso, antes de abastecer o tanque de combustível do seu carro, é preciso conhecer a procedência do posto.
É um tanto quanto comum conhecer postos que vendem combustível adulterado, que representa um enorme perigo para a “saúde” do motor do seu veículo, causando grandes danos e prejuízos enormes para o proprietário.
Neste texto, você conhece os principais danos causados pelo combustível adulterado, os sinais de alerta no seu carro, como identificar fraude no posto, seus direitos como consumidor e as diferenças entre gasolina comum, aditivada e premium.
Um combustível adulterado pode ser tanto etanol, como gasolina e diesel. No primeiro caso, no lugar do etanol hidratado, vendem uma mistura de etanol hidratado com etanol anidro (este usado na mistura da gasolina). Já no segundo, é comum a adulteração da gasolina com maior percentual de etanol anidro, acima do permitido por lei, atualmente de 32% para a gasolina comum (dado vigente desde 1º de agosto de 2026, válido por 180 dias e sujeito a atualização pelo CNPE) e de 25% na premium. O diesel, por sua vez, pode receber mais impurezas.
| Tipo | Etanol máximo |
| Gasolina comum | 32% |
| Gasolina premium | 25% |
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O combustível adulterado pode danificar todas as peças do caminho que ele percorre no seu veículo, como:
Nos veículos mais modernos, a injeção eletrônica, mais especificamente os bicos injetores, costuma ser o primeiro sistema danificado pelo combustível adulterado, seja gasolina, etanol ou diesel, principalmente quando existe a presença de solventes, querosene, água ou outras impurezas na mistura.
Contudo, o problema costuma ir além. Nos veículos a gasolina, etanol ou flex, as velas de ignição, a bomba de combustível, o pré-filtro e o filtro, a sonda lambda e o catalisador, por exemplo, também sofrem bastante. Além disso, as mangueiras e vedações são danificadas, o que tende a causar vazamentos.
Nos motores diesel os danos são parecidos e o prejuízo costuma ser muito maior. O diesel brasileiro atual, com baixo teor de enxofre e no padrão B15 (15% de biodiesel na mistura, segundo a ANP), costuma degradar rapidamente quando é adulterado. O resultado é a formação de uma espécie de “limo”, que ataca principalmente a bomba injetora, os bicos e todos os filtros do sistema de alimentação.
Outro problema sério que um combustível adulterado tende a causar é a formação de resíduos, que vão se acumulando nas câmaras de combustão, válvulas e cabeças dos pistões. Mas, quando a substância misturada acaba não queimando, é ainda pior: o contaminante escorre pelos cilindros, ataca o óleo lubrificante e pode até fundir o motor. Por isso, é sempre bom ter atenção aos sinais que seu veículo dá.
Motor saudável
Combustão limpa, sem resíduos
Motor com dano
Resíduos, corrosão, perda de força
Os 7 sinais de que o combustível do seu carro está adulterado são: luz de alerta do motor acesa, aumento repentino de consumo, óleo contaminado no cárter, perda de performance na aceleração, motor falhando ou “batendo pino”, carro “tossindo” ou engasgando e mudança forte no cheiro do escapamento.
Além desses sinais mais comuns, o combustível adulterado também pode causar rombo no bolso, carbonização, depósito de resíduos e, em casos extremos e muito raros, deformação dos pistões e de outros componentes.
O combustível adulterado pode ser uma das causas da luz de alerta do motor acesa no painel, que indica alguma anomalia no sistema de injeção eletrônica.
Esse sistema, que controla a admissão de combustível e calcula a porcentagem de mistura com ar, pode ter problemas para lidar com etanol ou gasolina adulterados, fazendo a luz aparecer no painel e se manter acesa.
A luz acesa logo depois de abastecer costuma indicar gasolina ou etanol contaminado, já que o combustível não foi reconhecido pela sonda lambda. Claro que não é a única coisa que leva a luz a se acender, mas é um forte indício quando o momento coincide.
Um dos primeiros sintomas, que você logo notará, é o aumento do consumo, muitas vezes acompanhado de perda de rendimento. Ao contrário do mito de que versões aditivadas rendem mais, o combustível “batizado” reduz a eficiência do motor.
Abastecer em um posto novo, pouco frequentado, e notar que o combustível acabou com mais rapidez que o normal, mesmo sem mudanças no seu jeito de dirigir, pode ser sinal de combustível adulterado.
Leia também: Como economizar gasolina: dicas práticas para gastar menos no dia a dia
Óleo contaminado no cárter, com mudanças nas características esperadas, também pode ser causado por combustível adulterado. Nesse caso, o problema costuma vir da gasolina com solventes ou do etanol com água demais.
Um veículo menos potente do que o normal é outro sinal de que o posto utilizado deve ser olhado com desconfiança.
Lembrando que, para todas essas dicas, pode existir mais de uma razão para o problema, por isso não deixe de considerar as outras possibilidades e sempre fazer as revisões do seu carro.
Motor falhando ou com dificuldade em pegar também são fortes sinais de que algo está errado com o combustível, principalmente se eles começarem após um abastecimento.
Até o som durante o funcionamento pode indicar algum problema, principalmente nas acelerações, quando surge um ruído de detonação, conhecido popularmente como “batida de pino”.
Pequenas engasgadas no carro, ou seja, pequenas falhas nas quais parece que o motor vai morrer, também são sinal de que o combustível no tanque pode estar adulterado.
Mudança forte no cheiro do escapamento é sinal de adulteração com solventes ou querosene, facilmente notada depois do processo de combustão.
Em casos extremos, quando a concentração de impurezas é muito grande, a injeção eletrônica pode detectar o problema e entrar em “modo de segurança” para proteger o motor, acendendo a luz de alerta no painel.
O ideal é solicitar um teste gratuito no posto, feito na sua frente, sempre que abastecer em local desconhecido ou notar mudança no comportamento do veículo. É um direito seu. Se o estabelecimento negar, você pode denunciar pelo 0800 970 0267, telefone gratuito da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ou pelo site do órgão.
Para garantir seus direitos e comprovar um eventual problema, guarde sempre as notas fiscais dos abastecimentos.
Pede o teste
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Posto nega?
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Denuncia à ANP
Se há suspeita de gasolina adulterada, você pode solicitar o teste da proveta na hora: basta adicionar gasolina e água em um recipiente com medidas padronizadas e verificar o volume de gasolina pura. O derivado de petróleo não se mistura com a água, enquanto os derivados do etanol sim.
O percentual máximo de etanol é de 32% para a gasolina tipo comum (dado atual segundo a ANP, válido por 180 dias a partir de 1º de agosto de 2026 e sujeito a atualização pelo CNPE) e de 25% para a gasolina premium, com oscilação máxima de 1%.
O etanol adulterado também pode ser testado: solicite o teste de teor alcoólico e repare no visor da bomba se o álcool está isento de impurezas e, visualmente, se não está alaranjado, sinal de irregularidade.
Geralmente, quando o etanol está batizado, ele foi misturado com etanol anidro (o de cor alaranjada, usado na mistura da gasolina), quando na verdade deveria ser apenas etanol hidratado, o verdadeiro combustível.
Para o óleo diesel, verificar o aspecto é essencial: impurezas como ferrugem, água e poeira são extremamente prejudiciais a todo o sistema de injeção e ao bom funcionamento do motor.
Outro teste que pode ser solicitado é o de vazão, para verificar se você não está levando menos combustível do que está pagando. Esse teste também é direito do consumidor e deve ser feito na própria bomba, na frente do cliente. Todas as bombas devem ter o selo do Inmetro.
Para escolher um posto de combustível confiável, abasteça sempre no mesmo local, desconfie de preços muito abaixo do mercado, confira os lacres e o selo do Inmetro nas bombas e verifique a origem da distribuidora do combustível.
1
Mesmo local sempre;
2
Desconfiar de preço baixo;
3
Conferir lacres e Inmetro;
4
Verificar a distribuidora.
Abastecer sempre nos mesmos locais, com uma rede de parceiros de confiança, facilita identificar irregularidades no combustível, negociar melhores valores e economizar. Antes de abastecer em um posto novo, vale pesquisar a reputação dele nas redes sociais e ver se os clientes estão satisfeitos.
Um valor de combustível muito abaixo da média dos demais postos é motivo de desconfiança: as chances de o combustível estar adulterado são bem altas.
Sempre verifique se os reservatórios de combustível possuem os lacres eletrônicos. O controle de qualidade é obrigatório para todos os postos de combustíveis confiáveis. Outro ponto que precisa ser examinado é a presença do selo do Inmetro.
O posto precisa informar claramente de onde vêm os seus produtos, inclusive quando o local escolhido for uma distribuidora exclusiva (bandeira branca): a informação sobre quem forneceu o produto deve estar descrita nas bombas.
A melhor coisa a fazer é ir até uma boa oficina mecânica e pedir o esvaziamento do tanque. Eles vão retirar o combustível ruim e você poderá abastecer com um combustível de maior qualidade.
Guarde o comprovante do abastecimento e o comprovante do gasto com a oficina mecânica: esses documentos são essenciais para acionar seus direitos como consumidor, explicados a seguir.
Abasteceu ruim
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Esvaziou o tanque
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Guardou provas
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Aciona direitos
Você tem direito a ser reembolsado pelo posto de combustível se ele vender um produto adulterado que danifique seu veículo. Você pode cobrar do posto o conserto do motor, mas para isso precisa de provas de que abasteceu naquele estabelecimento e de que foi o combustível que causou o dano. Veja como proceder:
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Transforme em hábito sempre pedir a nota fiscal do abastecimento em todos os postos e guardá-la: ela é a prova de onde o combustível veio, essencial se você precisar comprovar que o motivo do problema no veículo foi combustível adulterado.
Tenha em mãos um laudo técnico emitido por um profissional, detalhando os problemas que o veículo apresentou e provando que foram causados pelo combustível adulterado. Sua palavra sozinha não basta como prova na hora de exigir seus direitos.
Com as provas em mãos, volte ao posto onde abasteceu, procure o responsável e faça uma reclamação exigindo o ressarcimento. Se esse passo não funcionar, parta para uma reclamação legal: pelo Art. 18 do Código de Defesa do Consumidor, que atribui responsabilidade solidária a toda a cadeia de fornecimento, o posto pode ser obrigado a reembolsar os danos materiais e, dependendo do caso, também a indenização moral.
Procure a ANP e a Polícia para uma denúncia formal quando as provas reunidas, o acordo com o posto e a reclamação legal não resolverem o problema. Assim, o posto não tem mais como escapar da responsabilidade de ressarcir os danos, além de ter que se corrigir e responder à justiça.
A diferença entre gasolina comum, aditivada e premium está nos aditivos de limpeza e na octanagem, o índice que mede a resistência da gasolina à compressão.
Quanto maior a octanagem, mais resistente à compressão e melhor a qualidade da gasolina. Uma mistura muito sensível à compressão sofre explosões prematuras antes da faísca soltar da vela, o que desregula o motor, reduz a potência e causa o ruído conhecido como “bater pino” (knocking).
A adição de álcool à gasolina gera dois tipos de classificação: a Gasolina A, produzida nas refinarias e sem etanol, e a Gasolina C, vendida nos postos com adição de etanol pelas distribuidoras. A ANP exige densidade mínima de 715 g/L para a Gasolina C, justamente como forma de dificultar a adulteração do produto.
A gasolina aditivada recebe aditivos como os detergentes dispersantes, que mantêm limpo o sistema de alimentação do combustível, reduzindo entupimentos e depósitos causados pela queima do combustível no motor. As distribuidoras costumam adicionar corante para diferenciar o produto na bomba.
Em desempenho e consumo, comum e aditivada têm a mesma octanagem e não há diferença entre elas. A vantagem da aditivada está no espaçamento maior entre limpezas de filtro, bicos e trocas de bomba.
Comum
Octanagem padrão, ideal para motores comuns
Premium
Octanagem elevada, ideal para alta compressão
A gasolina premium é mais indicada para motores modernos com taxa de compressão alta, que aproveitam melhor sua octanagem elevada e rendem mais com ela.
Em um Fusca, por exemplo, ela não faz diferença de potência em relação à comum; já em motores modernos com taxa de compressão elevada, como o Firefly (13,2:1), o rendimento é maior.
A troca da gasolina comum pela aditivada ou pela premium pode ser feita a qualquer momento, mas o ideal é fazer a substituição com o tanque baixo.
Entender essas diferenças também ajuda a desconfiar de um posto suspeito: preços muito distantes do padrão do mercado para o mesmo tipo de combustível são sinal de alerta.
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