


O carro não é só um meio de transporte. É também um objeto de desejo pra maioria dos brasileiros, e representa a segunda compra mais importante da vida de muita gente.
A desvalorização é inevitável e aumenta com o passar dos anos, isso ninguém muda. Mas parte dela dá pra controlar com alguns cuidados no dia a dia, como você vai ver a seguir.
Ao longo deste artigo, você vai entender por que a desvalorização acontece, quais situações pesam mais na hora da revenda e as dicas práticas pra reduzir esse impacto no bolso.
O carro tem vida útil diferente da maioria dos bens. Enquanto um imóvel tende a valorizar com o tempo, o veículo desvaloriza desde o primeiro dia de uso. Essa perda de valor é a depreciação, que acontece por desgaste do material, mau uso ou alterações feitas no carro.
Não tem como fugir dela. Segundo um levantamento da CNN Brasil baseado na Tabela FIPE, mesmo os carros mais vendidos do país registram uma desvalorização média a partir de 10% já no primeiro ano de uso, podendo ser ainda maior dependendo do modelo e da procura no mercado.
10%
de desvalorização já no primeiro ano
Essa queda é mais forte nos primeiros anos e depois desacelera. Ainda assim, parte dela pode ser evitada com cuidados no dia a dia, e é sobre isso que vamos falar a seguir.
Um veículo zero é aquele que sai da concessionária e nunca teve um dono. Já o carro seminovo é aquele que teve um único dono e está nos primeiros 3 anos de uso.
Carro zero
Sai da concessionária e nunca teve dono
Carro seminovo
Teve um único dono e está nos primeiros 3 anos de uso
A referência mais usada no Brasil é a Tabela FIPE, elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Ela reúne o preço médio de revenda de cada modelo de carro disponível no mercado.
Pra calcular quanto o seu carro desvalorizou, compare o valor que você pagou (ou o preço de um carro zero-km do mesmo modelo) com o valor atual dele na Tabela FIPE. A diferença percentual entre os dois é a sua desvalorização.
Valor pago − Valor atual (FIPE) = Desvalorização
Além do tempo de uso, o valor também depende de outros fatores, como ano de fabricação, quilômetros rodados e estado de conservação do automóvel.
Além da depreciação natural, pequenas batidas e riscos também pesam na desvalorização. Pra evitar que o carro perca valor, vale manter a parte mecânica e estrutural conservada, com as revisões em dia e documentadas.
Revendedoras e compradores preferem carros bem cuidados, com aspecto de novo. Mas não para por aí. Outros detalhes também entram na avaliação, como a quilometragem.
01
Visual do carro
02
Mecânica e estrutura
03
Quilometragem alta
04
Modelos caros
05
Marcas menos conhecidas
06
Veículos blindados
07
Cor impopular
08
Sem acessórios
09
Manutenção cara
10
Excesso de customização
11
Cheiro de cigarro
12
Ano do modelo
A estética é o primeiro item que todo comprador analisa, e o visual do carro pesa direto na desvalorização. Quanto menos desgaste tiverem a funilaria, os para-lamas, as colunas, os faróis e as lanternas, melhor.
Repintar o carro pra esconder riscos e arranhões também desvaloriza bastante. O recomendado é deixar os pequenos riscos como estão. Quando um veículo é repintado, passa a impressão de que o dano foi maior do que realmente é.
A parte interna também conta pra estética. O estofamento com rasgos ou manchas, por exemplo, já é suficiente pra derrubar o valor do carro.
A mecânica conservada é outro fator que pesa na desvalorização. Se o carro faz barulho estranho, já passou por muita manutenção e troca de peça, ou não tem mais os pneus originais, o valor tende a cair.
Outros itens observados na hora da revenda são o estado dos discos de freio, pastilhas, suspensão, amortecedores, óleo do motor, bateria, radiador, motor e cabeçotes, além do funcionamento dos vidros elétricos, dos comandos do volante e do ar-condicionado.
Guardar os recibos e carimbos das revisões ajuda bastante. Compradores costumam verificar esse histórico, e um carro documentado vale mais.
A quilometragem alta também é avaliada na revenda. Quanto mais rodado o carro, maior a desvalorização, mesmo que ele esteja em bom estado.
Não existe um número mágico, mas quanto mais alta a quilometragem em relação à idade do carro, mais difícil fica vender por um bom preço.
Carros mais caros costumam desvalorizar mais rápido do que os populares. O motivo é simples: o público que pode pagar por eles é menor, o que reduz a demanda no mercado de usados.
Marcas como Volkswagen, Fiat, Ford e GM são mais conhecidas no mercado brasileiro e têm maior aceitação, por isso desvalorizam menos do que marcas menos populares por aqui, como Citroën ou Renault.
Marcas japonesas, como Toyota e Honda, também costumam desvalorizar menos, graças à reputação de confiabilidade e ao custo de manutenção mais baixo.
Os carros blindados têm desvalorização maior, porque se deterioram mais rápido do que os carros comuns. Os vidros, por exemplo, costumam formar bolhas entre as camadas de proteção.
Cores fora do padrão, como amarelo ou verde, dificultam a revenda e desvalorizam mais o carro. As cores de maior aceitação no Brasil são branco, preto, prata e cinza. São tons neutros que agradam a um público maior, e por isso mantêm melhor o valor.
Cores vibrantes, como vermelho, e tons escuros específicos, como marinho ou marrom, têm um público mais restrito e também podem ser mais difíceis de revender.
Carros sem acessórios como ar-condicionado, trava e vidro elétricos, direção hidráulica ou câmbio automático também sofrem mais com a desvalorização.
O custo de manutenção é outro fator que contribui para desvalorização do carro, afinal alguns modelos têm peças de reposição caras.
Muitos motoristas gostam de deixar o veículo com a sua cara, mas essa customização contribui muito na desvalorização do carro.
Cheiro ruim, principalmente de cigarro, derruba bastante o valor do carro. A boa notícia é que uma limpeza profissional consegue remover esse odor do painel, do teto e dos bancos.
O ano do modelo pesa na desvalorização mesmo em carros com pouco uso. Uma atualização visual (facelift) ou uma nova geração lançada pela montadora faz o modelo anterior parecer “datado” na hora da revenda, mesmo que mecanicamente ele esteja em perfeito estado.
A primeira coisa que chama atenção na hora de comprar um carro é se ele parece limpo e conservado. Por isso, as partes plásticas, como o painel e o interior das portas, merecem cuidado especial. Aposte em produtos que realçam o brilho, isso passa uma imagem de carro bem cuidado.
Manter essa higiene em dia contribui direto pra valorização do carro.
A lataria é responsável por boa parte do visual do carro. Encerar a carroceria a cada três meses e evitar deixar o veículo exposto ao sol ou à chuva ajuda a preservá-la, já que isso danifica a pintura antes da hora.
Pequenas imperfeições na lataria valem a pena consertar. Elas parecem detalhes bobos, mas derrubam o preço na hora da revenda.
Um estofado bem conservado faz muita diferença. Pra mantê-lo em bom estado, aspire a sujeira que entra entre os bancos e faça uma lavagem a seco de tempos em tempos pra tirar manchas e odores.
Bancos de couro pedem cuidado extra, já que o material resseca e racha com facilidade. Use produtos que hidratam o couro e mantêm os poros limpos.
Manter as revisões em dia, seguindo o intervalo recomendado pelo fabricante, evita que pequenos problemas virem grandes e caros. Isso também mostra pro próximo comprador que o carro foi bem cuidado desde o início.
Documentos atrasados obrigam você a cobrar um valor abaixo da média pelo carro. Isso porque, pra fazer a transferência e emitir o CRV, o comprador precisa que o veículo esteja sem nenhum débito. Por isso, mantenha o IPVA, o licenciamento e o SPVAT (o seguro obrigatório que substituiu o extinto DPVAT) sempre em dia.
Guardar o manual ajuda a acionar a garantia de fábrica quando precisar, e ainda valoriza o carro na revenda. Ter a chave reserva também conta pontos, os compradores veem isso como diferencial.
A direção hidráulica ou elétrica pesa bastante na hora da compra. O conforto e o menor esforço pra fazer manobras, principalmente baliza, ajudam a valorizar o carro.
O trio elétrico reúne travas elétricas, vidros elétricos e alarme. Juntos, eles trazem mais conforto e segurança, e ainda agregam valor ao carro.
A maioria dos carros já sai de fábrica com esses itens. Se o seu não tem, dá pra instalar o kit com facilidade.
Prefira sempre os modelos mais populares na hora de comprar. Como são mais procurados no mercado de usados, eles sofrem uma desvalorização menor.
| Situação | Como evitar |
|---|---|
| O visual do carro | Cuide da lataria e das partes plásticas |
| Parte mecânica e estrutural | Mantenha as revisões em dia |
| Elevada quilometragem | Considere revender antes dos 70 mil km |
| Modelos mais caros | Considere isso na hora de comprar |
| Marcas menos conhecidas | Prefira marcas mais aceitas no mercado |
| Veículos blindados | Considere isso na hora de comprar |
| Cor impopular | Prefira cores neutras na hora de comprar |
| Modelos sem acessórios | Invista em direção elétrica e trio elétrico |
| Manutenção cara | Pesquise o custo de peças antes de comprar |
| Excesso de customização | Evite modificações permanentes |
| Cheiro de cigarro | Mantenha o estofado limpo e sem odores |
| Ano do modelo | Considere isso na hora de comprar |
Suspensão, amortecedores, vidros, faróis, lanternas ou radiador desgastados também pesam na desvalorização. O Autoglass Online tem peças de qualidade pra manter seu carro bem cuidado e valorizado na hora da revenda.