


O freio ABS é um item de segurança importante presente nos carros. Ele pode ser a diferença entre um acidente acontecer ou não.
ABS é abreviação de anti-lock braking system, ou sistema antitravamento de rodas. Ele impede que as rodas travem numa freada brusca, funcionando como um sistema de apoio dos freios tradicionais.
Hoje, ele é indispensável para tornar a condução mais segura, mesmo em condições adversas, e é obrigatório no Brasil desde 2014.
Neste artigo, você vai entender como o freio ABS funciona, por que ele é tão importante, como fazer a manutenção correta e os sinais de que algo está errado com o sistema. Continue a leitura.
Leia também: Pastilhas de freio: o que são, como funcionam e quando trocar?
Ele parece um freio comum, porém não é. Ele é um sistema que evita o travamento das rodas. O ABS possui uma tecnologia que evita que o carro derrape e perca o controle na pista, permitindo que o motorista desvie de obstáculos sem que ocorra acidentes enquanto freia.
A derrapagem sempre foi uma das principais causas de acidentes, e o ABS reduz a distância de frenagem em até 30%, ajudando a evitá-los. Por isso, o freio ABS se tornou obrigatório no Brasil e aumentou o nível de segurança na pista.
-30%
na distância de frenagem
O sistema é baseado em sensores e funciona pra complementar o freio tradicional. Cada roda tem um sensor de velocidade, que permite ao módulo identificar quando alguma delas está prestes a travar durante a frenagem, sinal de possível derrapagem.
Quando isso acontece, o módulo usa eletroválvulas pra dosar a pressão do fluido de freio na roda em risco (ou em todas, se necessário). Na prática, você pisa fundo no freio, gerando muita pressão no sistema hidráulico, e o ABS modula essa pressão, adicionando, mantendo ou reduzindo, várias vezes por segundo, em cada roda, mesmo que seu pé continue no pedal.
Em alguns carros, você sente o pedal trepidar enquanto isso acontece, por causa desse ajuste de pressão do sistema.
O ABS só atua em situações de emergência, ou seja, quando o freio é acionado bruscamente e com força.
Ele faz diferença em três cenários de risco real: pista molhada, frenagem com desvio de obstáculo e rodas em superfícies desiguais. Veja como o ABS atua em cada um:
Pista molhada
Frenagem com desvio
Superfícies desiguais
Outros benefícios
Quando a pista está molhada, o atrito entre o pneu e a pista é ainda menor. Em situações como essa, se as rodas estiverem sob uma lâmina d’água elas podem entrar num estado de aquaplanagem e perder completamente a tração com o solo. Se o motorista estiver em alta velocidade, o acidente pode ser muito grave. Com o freio ABS, dirigir em pista molhada fica mais seguro, porque ele evita a aquaplanagem e impede que as rodas travem.
Quando é preciso frear bruscamente por conta de algum desvio, de forma que haja pouco espaço para paralisar o carro, o freio ABS ajuda bastante. Ele dá mais facilidade pro motorista controlar o veículo, desviando do obstáculo, sem causar acidentes com o travamento das rodas.
Isso acontece quando as rodas estão em superfícies diferentes e o freio é acionado. É extremamente perigoso, e uma situação comum é quando o carro passa dentro de uma poça com apenas uma das rodas. Sem o freio ABS, essa frenagem desigual faz o motorista perder o controle do carro.
O freio ABS também ajuda a conservar os pneus e o próprio sistema de frenagem: como a frenagem fica mais suave e menos abrupta, esses componentes têm vida útil mais longa. Estudos de segurança no trânsito também associam o uso do ABS a uma redução relevante nas fatalidades em acidentes.
Existem 4 tipos principais: a disco, a tambor, pneumático e de estacionamento. Vale lembrar que o freio ABS não é um tipo de freio em si: é uma tecnologia que trabalha em conjunto com qualquer um desses sistemas, então a mecânica de frenagem continua a mesma, com ou sem ABS.
Disco
Tambor
Pneumático
Estacionamento
É mecânico, com o pedal empurrando o fluido. Nesse modelo, o sistema é aberto, expondo o disco de freio, o que ajuda a dissipar o calor e evita o fading (perda de frenagem por superaquecimento). Essa abertura também acelera a secagem e reduz o acúmulo de sujeira, tornando o sistema mais seguro. Como tem longa durabilidade e baixo custo de manutenção, é muito usado na parte dianteira de carros de passeio e motocicletas.
Nesse modelo, pistões hidráulicos (peças cilíndricas que se expandem) são acionados pelo pedal, expandindo-se com a transmissão do fluido e empurrando sapatas (placas de fricção) contra o tambor (lateral da roda).
É comum encontrar o freio a tambor nas rodas traseiras de veículos, principalmente nos modelos populares de passeio.
Além de ter alta capacidade de frenagem, o freio a tambor costuma ser mais barato e vir acompanhado de sistema de estacionamento.
No entanto, sua manutenção é mais cara, e ele é menos seguro, pois pode acumular água e sujeira.
Também conhecido como a ar, esse tipo é mais adotado em frotas pesadas. Seu sistema trabalha com cargas variadas de potência e funciona de forma diferente dos freios usados em veículos menores.
O modelo pneumático trabalha com um compressor, que faz a admissão do ar ao mesmo tempo que o motor.
São mais conhecidos como freios de mão, nome que vem do fato de serem acionados de forma manual, por meio de uma alavanca.
Sua principal função é servir como sistema complementar de freios dos veículos a motor, garantindo que fiquem completamente parados enquanto não estão sendo usados.
O freio ABS pode ter de 1 a 4 canais, dependendo de quantos sensores e válvulas o sistema usa pra controlar cada roda de forma independente. Veja os 4 tipos:
| Canais | Sensores |
|---|---|
| 4 | 4 |
| 3 | 3 |
| 2 | 3 |
| 1 | 1 |
Cada roda tem seu próprio sensor de velocidade e sua própria válvula de controle de frenagem.
As rodas dianteiras têm sensores e válvulas independentes, mas as traseiras dividem um sensor e uma válvula só.
O eixo traseiro tem um sensor e uma eletroválvula no diferencial, enquanto o eixo dianteiro tem dois sensores de rotação e uma eletroválvula pra controlar a pressão.
Um único sensor de velocidade e uma única válvula controlam a frenagem de todas as rodas.
O freio ABS conta com sistemas auxiliares que aprimoram seu desempenho. Conheça os 3 principais:
EAS
EBD
AFU
Trata-se de um sistema auxiliar do freio ABS que controla a tração e a altura do veículo em relação ao solo.
É um auxiliar ao freio ABS que proporciona melhor distribuição das forças empregadas na frenagem.
Trabalha diminuindo o esforço necessário no pedal e sua trepidação. Como o ABS faz a frenagem aos poucos, pode ser necessário pisar fundo no pedal para frear. A AFU aumenta a pressão para proporcionar uma parada mais rápida (assistência à frenagem de emergência).
O ABS, especificamente, não tem itens de desgaste. Mas como conta com sensores nas rodas, módulo eletrônico e luz indicativa no painel, ele também precisa ser checado pra garantir que todos os pontos estejam íntegros e funcionais.
A manutenção precisa ser feita por especialistas com um scanner, não é algo que o motorista deve fazer sozinho. Os defeitos mais comuns identificados são bomba ou válvula hidráulica que não respondeu ao sinal enviado, e só um computador externo consegue comparar e confirmar esse tipo de problema antes do reparo.
Três sinais indicam que o freio ABS pode estar com problema: luz acesa no painel, barulhos estranhos ao frear e trepidação no pedal. Veja o que cada um significa:
Luz acesa
Barulhos
Trepidação
Ao ligar a ignição, a luz do ABS deve acender e apagar logo depois da partida, indicando que tudo está normal. Também é comum ela piscar enquanto o ABS está atuando numa frenagem, mas o comportamento exato do alerta varia por modelo, então vale checar o manual do seu carro. Se a luz acender e não apagar mais enquanto o carro está ligado, é sinal de avaria mecânica ou elétrica no sistema, e você precisa ir pra oficina. Nesse caso, o freio convencional continua funcionando, só perde a assistência do ABS.
Fique atento aos barulhos novos ao acionar os freios. É normal o ABS causar ruídos leves de destravamento da roda em freadas agressivas, mas barulhos que fujam disso sempre são um alerta.
O pedal está tremendo quando você freia? Isso pode ser empenamento do disco, que nunca deve passar de 0,1 mm. Acima desse limite, o sistema é prejudicado.
Reunimos aqui outras dúvidas comuns sobre o freio ABS:
Em caminhões e ônibus com sistema ABS, o sistema regula a força nos tambores de freio, reduzindo gradualmente a rotação da roda e aproveitando melhor o atrito entre pneu e piso. Isso mantém a dirigibilidade e a estabilidade do veículo, sem prejudicar a eficácia da frenagem.
Na maioria das condições, o módulo ABS deve durar a vida útil do seu carro: ele não é um item de desgaste como pastilhas ou discos. Mesmo assim, vale incluir a checagem do sistema nas revisões periódicas do seu veículo, pra garantir que sensores e módulo continuem funcionando corretamente.
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