


Com a gasolina cara, muitos motoristas têm se perguntado se vale a pena converter o carro para gás GNV. Essa decisão depende de vários fatores, incluindo a região onde você mora, quanto o carro roda e os benefícios fiscais disponíveis no seu estado.
Neste artigo, você vai entender como funciona o sistema GNV, quais veículos podem ser adaptados, as vantagens e desvantagens de converter o carro, os cuidados necessários e se realmente existe risco de explosão.
Leia também: Saiba como é calculada a autonomia de combustível do carro
O GNV, ou Gás Natural Veicular, é um combustível alternativo armazenado sob alta pressão em cilindros especiais instalados no carro. Ele funciona em quase todos os carros movidos a combustão, com carburador ou injeção eletrônica.
Sem aditivos ou variações, o GNV é o combustível mais puro encontrado nos postos. Como não existem mais carros a gás direto de fábrica no Brasil, é preciso adaptar o veículo instalando um kit.
O kit é formado por cilindros carregados de GNV, que ficam no porta-malas do carro e se conectam ao motor. A instalação precisa ser feita numa oficina certificada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), e o processo leva em média um dia.
Qualquer carro movido a combustão, seja a gasolina, álcool ou diesel, pode ser convertido para rodar com GNV, através da instalação do chamado “Kit GNV”. O que muda de um carro para outro é o tipo de cilindro de gás necessário.
Converter o carro pra gás traz vantagens como economia no combustível, menor poluição, motor e escapamento mais duráveis, desconto no IPVA e proteção contra adulteração do combustível.
A economia é a principal vantagem de rodar com GNV. Segundo um levantamento da ABEGÁS divulgado pela CNN Brasil, um carro consegue rodar até 94% a mais de quilometragem com o mesmo valor gasto em GNV, comparado à gasolina.
O GNV também é mais limpo do que os outros combustíveis. A queima do gás libera menos monóxido e dióxido de carbono na atmosfera do que a gasolina e o etanol, o que reduz o impacto ambiental do veículo.
O GNV não deixa resíduos acumulados nos bicos injetores, porque queima de forma mais limpa do que os combustíveis líquidos.
O óleo do motor dura mais com GNV, porque o gás não se mistura nem contamina o lubrificante, reduzindo a frequência das trocas.
O escapamento também dura mais. Como o GNV não gera o acúmulo de água que vem da gasolina e do álcool, o sistema sofre menos corrosão e tende a durar mais tempo.
Muitos estados oferecem desconto ou isenção de IPVA para carros com motor adaptado para funcionar com gás natural, álcool ou eletricidade. As regras variam bastante, então vale consultar a Secretaria da Fazenda do seu estado antes de contar com esse benefício.
Diferente de outros combustíveis, o GNV não pode ser adulterado. Ele vem das mesmas jazidas de onde se extrai o petróleo e é distribuído por encanamento direto até os postos, o que inviabiliza qualquer adulteração no caminho.
Converter o carro pra gás também tem desvantagens, como maior risco de fissuras no motor, desgaste mais rápido de peças, perda de potência, perda da garantia de fábrica e menos espaço no porta-malas.
Fissura no cabeçote
Desgaste dos cabos de vela
Falta de lubrificação
Perda de potência
Perda de garantia
Menos porta-malas
O GNV aumenta o risco de fissuras no cabeçote do motor, porque o sistema passa a trabalhar com mais pressão. Manter o motor sempre regulado e seguir as recomendações da empresa de conversão ajuda a evitar esse problema.
Os cabos de vela também desgastam mais rápido com o uso de GNV, exigindo troca antes do prazo normal.
O GNV pode causar falta de lubrificação nos cilindros, porque é um combustível seco, o que pode danificar componentes como as válvulas. Por isso, é importante seguir a rotina de uso recomendada pela oficina de conversão, que veremos mais à frente.
Depois de instalar o GNV, é comum notar o motor um pouco mais fraco. Essa perda de potência varia bastante conforme a geração do kit. Nos mais antigos, costuma ser mais perceptível; nos mais modernos (5ª geração), tende a ser bem menor.
Carros zero quilômetro perdem a garantia de fábrica depois que o kit de gás é instalado, já que a montadora considera que o veículo passou por alterações na estrutura original.
O carro com GNV também perde espaço no porta-malas. Em modelos compactos, o cilindro costuma ocupar cerca de um terço do espaço; em SUVs, em torno de um quinto.
Os carros a gás pedem alguns cuidados especiais, principalmente na hora de dar a partida. O principal deles é nunca sair andando direto com o carro frio abastecido no GNV.
Ligue o veículo e rode os primeiros quilômetros com o combustível líquido do tanque original. Só depois faça a troca para o gás. Alguns quilômetros antes de terminar o trajeto, repita o processo ao contrário, trocando o GNV pela gasolina, o etanol ou o diesel até desligar o carro.
Também vale ficar de olho nas manutenções preventivas, trocando o óleo do motor e o filtro nos prazos corretos.
Os cilindros do kit GNV precisam passar por requalificação a cada cinco anos, uma determinação do Inmetro. É o mesmo tipo de ensaio hidrostático usado em cilindros de mergulho e de oxigênio hospitalar. Para fazer esse procedimento, leve o carro a uma oficina credenciada pelo Inmetro. Lá, a equipe desmonta o cilindro e envia a uma empresa requalificadora, também registrada no órgão. A inspeção anual de todo o kit também é obrigatória.
5 anos
prazo de requalificação do cilindro (Inmetro)
Abastecer com GNV costuma ser seguro, mas exige atenção a alguns detalhes além dos cuidados básicos de qualquer posto de combustível:
Carros adaptados para rodar com gás precisam passar por vistoria, validação prévia, emissão de nova documentação e comunicação à seguradora para ficarem regularizados.
1. Vistoria
2. Validação
3. Documentos
4. Seguradora
A vistoria é uma inspeção de segurança realizada anualmente por um Órgão de Inspeção Acreditado (OIA), credenciado pelo Inmetro.
Antes de solicitar nova documentação no Detran, o carro com Kit GNV passa por uma segunda vistoria, desta vez para que as modificações feitas pelo proprietário sejam registradas no documento do veículo.
Essa vistoria também confere pneus, estepe, luzes de posição e freios, além do funcionamento do sistema de GNV. Com a aprovação, é emitido o CSV (Certificado de Segurança Veicular).
Para registrar a alteração de combustível no Detran estadual e emitir o novo CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo), você vai precisar apresentar:
Vale a pena consultar o Detran do seu estado, já que outras documentações podem ser exigidas conforme a legislação local.
Informe a seguradora sobre a instalação do Kit GNV, tanto se o carro já tem seguro quanto se você for contratar um agora. Isso é necessário pra revisar os cálculos e a cobertura da apólice.
Mito. Quando a instalação do Kit GNV segue as normas do Inmetro, não há risco de explosão. Ainda assim, é preciso manter a manutenção em dia, tanto no carro quanto nos postos que abastecem com gás.
O sistema de GNV tem dispositivos de segurança que controlam o gás em casos de excesso de pressão, temperatura ou fluxo, além de uma proteção que bloqueia grandes vazamentos. Se a temperatura do cilindro sobe demais, o gás é dissipado aos poucos, evitando riscos aos ocupantes e impedindo que o sistema entre em combustão.
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2 Comments
Muito bom atendimento rápido facilidade de consultar o estoque pelo site
Que bom que gostou Willame, ficamos muito felizes com seus feedback.