

Muita gente passa boa parte do dia dentro do carro, seja para trabalhar ou se deslocar. Por isso, a manutenção básica é essencial para evitar panes, reduzir gastos com reparos e garantir mais segurança no trânsito.
Você não precisa de uma oficina para cuidar de tudo. Vários itens podem ser verificados em casa, ao longo da semana, com alguns cuidados simples.
A seguir, veja os 8 itens que merecem atenção regular, dos freios às luzes, passando pelos pneus e pelo óleo do motor, para manter seu carro sempre pronto para rodar com segurança.
O freio de estacionamento (freio de mão) pode perder eficiência com o tempo, principalmente quando é usado de forma incorreta. Ele é essencial para manter o veículo parado com segurança em subidas, descidas e estacionamentos.
As falhas mais comuns são o afrouxamento, que reduz a capacidade de frenagem do carro parado, e o estrangulamento, que dificulta a ativação e a desativação do freio por conta da pressão excessiva no cabo.
Para verificar se o freio de estacionamento está funcionando corretamente, faça um teste simples: puxe a alavanca e conte os “cliques”. Se ela ultrapassar cerca de quatro estágios ou precisar ser puxada quase até o teto para segurar o carro, é sinal de desregulagem.
Até 4 cliques: normal. 5 ou mais: sinal de desregulagem.
O cuidado com o freio de estacionamento começa no manuseio. Evite puxar a alavanca com força excessiva: isso acelera o desgaste do cabo de aço e das outras partes móveis, fazendo o freio afrouxar mais rapidamente.
Peça para o mecânico regular o freio de estacionamento a cada revisão do carro. Mas, se algum desses sinais aparecer antes, procure um profissional de confiança para fazer os ajustes necessários.
As luzes do carro podem desregular com o tempo, seja por vibrações, buracos, pequenas batidas ou desgaste natural das lâmpadas e conectores. Você mesmo pode fazer checagens simples em casa para identificar esses problemas.
Os itens que merecem atenção constante são:
Para verificar, estacione o carro em um local plano e, de preferência, de frente para uma parede. Ligue os faróis e observe o reflexo: se um lado estiver mais fraco ou escuro que o outro, é provável que alguma lâmpada esteja queimada ou desregulada.
Em seguida, apague as luzes, engrene a marcha ré e verifique a iluminação de ré pelos retrovisores ou com a ajuda de outra pessoa. Repita o processo com as lanternas e luzes de posição, sempre observando o reflexo e o funcionamento nos retrovisores externos.
Para analisar as luzes de direção, apague toda a iluminação do carro, acione as setas e o pisca-alerta e confira se todas as lâmpadas estão funcionando.
Muita gente acha que a vibração no volante é algo “normal” do tempo de uso do carro, mas esse é um sinal importante de que algo pode estar errado com a direção. Ignorar essas vibrações pode trazer riscos à segurança e aumentar o desgaste de outros componentes.
A vibração constante no volante também cansa o motorista, além do risco mecânico. Em viagens mais longas, a força extra para manter o volante estável pode causar dores nos braços e nos ombros, reduzindo o conforto e a atenção ao dirigir.
Veículos maiores, como SUVs, exigem naturalmente mais esforço para manter a estabilidade, o que torna ainda mais importante verificar qualquer trepidação ou ruído na direção com frequência.
Para perceber melhor a trepidação, dirija em um local plano, reto e sem buracos. Se o volante vibrar demais ou o carro puxar para um lado, é um sinal de alerta. Ruídos ao esterçar, direção pesada ou “folgada” também indicam necessidade de ajustes nos componentes.
| Sintoma | Possível causa |
|---|---|
| Volante vibra | Desalinhamento ou pneu desbalanceado |
| Carro puxa para um lado | Alinhamento ou pressão dos pneus |
| Direção pesada/folgada | Componentes da caixa de direção |
Com o carro parado, vire o volante de um lado para o outro mais de uma vez. Você não deve sentir folgas excessivas nem ouvir estalos vindos da caixa de direção. Aproveite para testar a buzina e os comandos do volante.
Imprevistos acontecem, e um kit de emergência completo no carro protege você e os outros motoristas. Alguns itens são obrigatórios por lei, e outros, embora não sejam exigidos, podem ajudar muito em situações de risco.
Para facilitar, confira quatro grupos de itens importantes que não podem faltar no seu veículo:
Esse trio é exigido pelo Código de Trânsito Brasileiro (Art. 230, inciso IX), e a falta de qualquer um deles é considerada infração grave, com multa de R$ 195,23 e perda de 5 pontos na carteira de habilitação. Mais do que uma exigência legal, esses itens são indispensáveis para sinalizar o veículo parado e trocar um pneu com segurança.
Infração grave (Art. 230, IX): multa de R$ 195,23 e perda de 5 pontos na CNH por rodar sem triângulo, macaco ou chave de roda.
Em uma pane ou acidente, coloque o triângulo a aproximadamente 30 a 50 metros do carro para alertar os demais motoristas, conforme exige o CTB (Art. 46). Use o macaco e a chave de roda para remover e substituir o pneu danificado.
O estepe também é obrigatório e faz parte do kit de emergência do carro. Mesmo sem uso, mantenha-o em bom estado e calibrado regularmente, de preferência junto com os demais pneus.
Se o estepe ficar muito tempo com baixa pressão, pode ressecar e não resistir ao uso quando for necessário. Por isso, não deixe de incluí-lo na rotina de calibragem.
O kit de primeiros socorros não é mais obrigatório por lei, mas continua sendo um grande aliado em situações de emergência. Ter gaze, ataduras, esparadrapos e antissépticos no veículo ajuda a lidar com pequenos ferimentos até que seja possível buscar atendimento médico.
Embora o extintor não seja mais obrigatório para todos os veículos, mantenha-o no carro: em caso de princípio de incêndio, ele pode ser decisivo para controlar as chamas até a chegada de ajuda profissional.
Verifique sempre o prazo de validade e o tipo de extintor indicado. Na hora de usar, retire o lacre, acione o gatilho e direcione o jato para a base do fogo, nunca diretamente para as chamas.
A qualidade dos pneus afeta diretamente a segurança de motoristas, passageiros e pedestres. Pneus muito desgastados, carecas, com bolhas ou deformações não conseguem garantir a aderência ideal e aumentam o risco de acidentes.
Calombos, furos e a perda de sulcos também podem comprometer a estrutura do pneu, causar desalinhamento e até provocar estouros em situações mais críticas. Por isso, fique atento ao estado geral do conjunto: isso é fundamental para a sua segurança e para o bolso.
Datas de validade e quilometragem recomendada são referências importantes, mas o desgaste real varia conforme o uso do veículo, o tipo de piso, o peso transportado e o estilo de condução. Inspecione regularmente a banda de rodagem e as laterais.
Leia mais: Rodízio de pneus: como fazer e de quanto em quanto tempo
Os pneus possuem um indicador de desgaste chamado TWI, formado por pequenas barrinhas de borracha entre os sulcos. Quando a banda de rodagem se aproxima da altura dessas barras, é sinal de que está na hora de trocar o pneu.
Observe também as laterais em busca de sinais de ressecamento, rachaduras, rasgos ou bolhas. Esses pontos podem indicar vazamento de ar ou regiões fragilizadas, com risco maior de estouro.
De forma geral, os fabricantes recomendam a troca a cada 60 mil km ou a cada 5 anos, o que ocorrer primeiro, mas esse prazo pode ser menor em trajetos com muitas subidas, buracos, estradas de terra ou uso intenso do veículo. Por isso, o desgaste real da banda de rodagem, indicado pelo TWI, continua sendo a referência mais confiável.
Manter a calibragem correta dos pneus aumenta a segurança, melhora o consumo de combustível e prolonga a vida útil do conjunto.
Pneus murchos ou muito cheios comprometem a dirigibilidade e aceleram o desgaste da banda de rodagem. Calibre os pneus frios, ou seja, em um posto próximo, a no máximo 2 km de distância da sua casa.
Lembre-se também de calibrar o estepe, adicionando cerca de 4 a 5 psi a mais do que a pressão recomendada para os demais pneus.
Cheque a pressão dos pneus pelo menos uma vez por semana e sempre siga os valores indicados no manual do proprietário ou na etiqueta fixada na coluna da porta ou na tampa do combustível.
O nível do líquido de arrefecimento pode sofrer pequenas variações com o tempo. Mesmo assim, mantenha o reservatório sempre entre as marcas de mínimo e máximo para evitar o superaquecimento do motor e problemas mais graves.
Faça a inspeção sempre com o motor frio. Com o capô aberto, observe as marcações no reservatório.
Se o nível estiver abaixo do mínimo, complete com o fluido adequado, respeitando as recomendações do fabricante do veículo.
Quando for necessário completar com água, a melhor opção é a água destilada, pois ela não contém sais minerais que podem causar corrosão, crostas e entupimento nos dutos do sistema, aumentando o risco de superaquecimento. Na falta de água destilada, utilize água filtrada como alternativa, mas providencie a correção adequada o quanto antes.
O óleo lubrifica, limpa e protege as peças internas do motor. Rodar com o nível errado pode causar desgaste prematuro, aumento de consumo e até danos graves ao conjunto.
Sempre que possível, faça a verificação com o motor frio, antes de começar a rodar:
Mantenha o nível entre os dois riscos, sem deixá-lo abaixo ou acima das marcações.
Rodar com óleo abaixo do nível prejudica a lubrificação e aumenta o atrito entre as peças. Já o excesso pode elevar a pressão interna, causar vazamentos, sujeira nas velas e problemas no catalisador.
Leia mais: Troca de óleo do motor: o que saber para não ser enganado
Muita gente só lembra das palhetas do limpador de para-brisa em dias de chuva, mas mantenha esse componente sempre em bom estado para não comprometer a visibilidade quando você mais precisar. Mudanças bruscas de temperatura, exposição constante ao sol e poluição ressecam a borracha, causando falhas na limpeza do vidro.
Alguns sinais de que está na hora de trocar o limpador são:
Verifique também o funcionamento do motor do limpador, o braço onde a peça é encaixada e o estado do esguicho de água, que também pode entupir com o tempo.
Freios, pneus, iluminação, direção e palhetas em bom estado fazem toda a diferença na hora de dirigir com segurança. Na hora de substituir alguma peça, prefira produtos de qualidade e compatíveis com o seu veículo.